Poucas experiências na maternidade são tão avassaladoras quanto ver um recém-nascido chorar sem parar e sentir que nenhuma tentativa de consolo funciona. Nos primeiros meses de vida, quando o pequeno ainda não consegue usar palavras para expressar o que sente, o choro é o seu único canal de comunicação. É nesse cenário de incertezas que surge a dúvida angustiante: como ter certeza de que o bebê está com cólica e não enfrentando outro desconforto?

Entender os sinais do próprio filho é uma jornada diária de observação e afeto. Embora o desconforto abdominal seja uma fase fisiológica natural pela qual a grande maioria dos recém-nascidos passa, aprender a decodificar a linguagem corporal da criança traz alívio para os pais e segurança para o lar. A seguir, você vai conferir os principais indícios que ajudam a identificar o problema e como agir com serenidade para acolher seu filho nesse momento delicado.
Sumário
Por Que as Cólicas Acontecem nos Primeiros Meses?
Antes de partirmos para a lista de sinais, é importante compreender a razão por trás desse incômodo quando o bebê está com cólica. Quando o recém-nascido chega ao mundo, seu sistema digestivo ainda é extremamente imaturo. O intestino do pequeno está aprendendo a processar o leite, a lidar com a presença de gases e a realizar os movimentos necessários para a digestão.
Além disso, fatores como a ingestão de ar durante a amamentação ou o uso da mamadeira, além do próprio amadurecimento do sistema nervoso, contribuem para que o incômodo aconteça. Sabendo disso, fica mais fácil entender que ver que o bebê está com cólica não significa que você está cometendo um erro na rotina, mas sim que o corpo dele está passando por uma etapa de adaptação inevitável.
10 Sinais Claros para Identificar a Cólica no Bebê
A dor de barriga no recém-nascido costuma seguir um padrão comportamental bastante físico e evidente. Ao observar o conjunto desses gestos, você conseguirá identificar o motivo do choro com muito mais clareza.
1. Choro Agudo, Intenso e Inconsolável
Diferente do choro de fome ou de fralda suja, que costuma começar aos poucos e diminuir assim que a necessidade é atendida, o choro causado pelo desconforto abdominal é alto, agudo e contínuo. Parece um grito de socorro que não cessa facilmente, mesmo quando você pega o pequeno no colo ou oferece o peito.
2. Encolher e Esticar as Perninhas
Este é o sinal de linguagem corporal mais clássico. Quando o bebê está com cólica, ele tende a dobrar os joelhos com força contra a barriguinha e, logo em seguida, esticar as pernas de forma brusca e rígida, como se estivesse tentando expelir a dor do próprio corpo.
3. Barriga Dura e Levemente Inchada
Ao colocar a mão suavemente sobre o abdômen da criança, você poderá notar que a região está visivelmente mais firme, estufada ou aquecida. Esse inchaço acontece pelo acúmulo de gases presos nas alças intestinais.
Chega de surpresas e noites mal dormidas: Quando você entende as fases e os saltos de crescimento, fica muito mais fácil acolher o choro, aliviar os desconfortos e saber exatamente como agir em cada mês. O e-book Guia do Primeiro Aninho é o manual de instruções prático que todo pai e mãe deveriam ter na cabeceira. Acesse este link para garantir o seu guia e transformar a sua rotina.
4. Rostinho Vermelho e Expressão de Dores
Durante as crises, a criança faz tanto esforço físico para lidar com os espasmos intestinais que o seu rosto fica intensamente vermelho. A testa se contorce, os olhos se fecham com força e os lábios se contorcem em uma clara expressão de dor.
5. Mãos Fechadas em Punição (Punhos Fechados)
A tensão provocada pela dor faz com que o bebê contraia toda a musculatura do corpo. Preste atenção nas mãos do seu filho: se ele estiver mantendo os punhos bem fechados e apertados contra o peito, é um indicativo forte de estresse físico.
6. Padrão de Horário (A Famosa “Hora da Bruxa”)
As crises de dor raramente acontecem de forma totalmente aleatória. Na maioria dos lares, percebe-se que o bebê está com cólica quase sempre no mesmo horário, geralmente no final da tarde ou durante a noite, entre 17h e 22h. Esse período coincide com o acúmulo de cansaço e estímulos ao longo do dia.
7. Liberação de Gases que Trazem Alívio Momentâneo
Se durante o choro o pequeno solta puns e, logo em seguida, dá um breve suspiro ou para de chorar por alguns segundos, você tem a confirmação de que o problema está ligado ao sistema digestivo e à retenção de ar.
8. Recusa do Peito ou da Mamadeira
Em um primeiro momento, o bebê pode procurar a mama desesperadamente em busca de conforto. No entanto, assim que começa a sugar, o ato de engolir ativa os movimentos do intestino, disparando uma nova pontada de dor. Ele então se contorce, solta o bico, chora e tenta pegar novamente, criando um ciclo de frustração.
9. Arquear as Costas para Trás
Durante a crise, a criança pode esticar o pescoço e arquear a espinha dorsal para trás, quase criando uma ponte com o próprio corpo. Essa postura é uma tentativa involuntária de esticar o tronco para aliviar a pressão interna do abdômen.
10. Dificuldade para Pegar no Sono Profundo
Mesmo quando está visivelmente exusto, o pequeno não consegue relaxar. Ele pode adormecer por cinco ou dez minutos no colo, mas acorda assustado e chorando forte assim que uma nova onda de contração intestinal acontece.
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Como Ajudar e Acolher o Seu Filho Nesse Momento
Ainda que não exista uma fórmula mágica para sumir com o desconforto instantaneamente quando o bebê está com cólica, algumas atitudes práticas ajudam a acalmar a criança e a acelerar a eliminação dos gases:
- Contato Pele a Pele: Encoste o peito do bebê no seu peito, ou do pai. O calor do corpo e os batimentos do coração transmitem segurança e ajudam a relaxar a musculatura dele.
- Massagens Circulares: Com um pouco de óleo vegetal ou hidratante infantil, faça movimentos circulares na barriga do bebê, sempre no sentido horário (que acompanha o caminho do intestino).
- Exercício da Bicicletinha: Deite o pequeno de costas e mova suavemente as perninhas dele como se estivesse pedalando. Pressione os joelhos com leveza contra a barriga para ajudar na saída dos gases.
- Compressa Morna: Utilize uma bolsa térmica própria para bebês (verifique sempre a temperatura na parte interna do seu pulso antes para não queimar a pele sensível dele).
Dica extra: Essa dica, uma vizinha minha que morou muitos anos no Japão e teve sua filha lá, que me ensinou. Pegue um cotonete, e com óleo Johnson’s para recém-nascido, passe na bundinha do bebê de forma delicada e superficialmente. Não sei se tem alguma comprovação científica essa técnica, mas por aqui ajudou muito.
Quando É Hora de Procurar Ajuda Médica?
Embora notar que o bebê está com cólica seja algo esperado nos três primeiros meses de vida, é fundamental saber diferenciar o desconforto comum de sinais que exigem avaliação do pediatra. Procure atendimento médico se a criança apresentar febre, vômitos frequentes e intensos, presença de sangue nas fezes, recusa total de líquidos ou se o choro vier acompanhado de uma prostração excessiva.
Lembre-se de que essa fase desafiadora é temporária. À medida que o organismo do seu filho amadurecer, as dores diminuirão até desaparecerem por completo, dando lugar a dias muito mais tranquilos e sorridentes.
