A maternidade vem acompanhada de uma sensibilidade única que faz com que as mães percebam detalhes no comportamento dos filhos que muitas vezes passam despercebidos para outras pessoas. É comum que dúvidas surjam durante o desenvolvimento da criança — especialmente quando algo parece “fora do esperado”. Entre essas preocupações, uma das mais frequentes atualmente envolve a possibilidade de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Neste artigo completo, você vai entender o que é o autismo, quais são seus graus, quando a mãe deve se preocupar, quais sinais de alerta observar, como é feito o diagnóstico e como prosseguir após a confirmação.
O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa por toda a vida. Ele é caracterizado por desafios em duas grandes áreas:
- Comunicação e interação social
- Comportamentos repetitivos e interesses restritos
O termo “espectro” indica que o autismo não é igual para todas as pessoas. Existem diferentes apresentações, níveis de suporte necessários, habilidades e dificuldades.
O TEA não é uma doença, e sim uma forma diferente de funcionamento cerebral. Por isso, não existe “cura”, mas sim maneiras de promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.
Quais são os graus do autismo?
De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o autismo é classificado em três níveis, que indicam a quantidade de suporte necessária no dia a dia:
Nível 1 — Necessita de pouco suporte
- A criança pode falar bem, mas tem dificuldades de manter troca social.
- Pode apresentar rigidez comportamental.
- Costuma ser confundido com timidez intensa ou “jeito próprio”.
Nível 2 — Necessita de suporte moderado
- Dificuldade clara de comunicação verbal e não verbal.
- Comportamentos repetitivos mais evidentes.
- Problemas de adaptação a mudanças e interações sociais limitadas.
Nível 3 — Necessita de muito suporte
- A comunicação é bastante limitada (ou ausente).
- Comportamentos repetitivos intensos.
- Alta dificuldade em mudanças e grande necessidade de apoio constante.
Importante: O nível não define potencial, apenas indica o suporte necessário.
Quando a mãe deve procurar um profissional?
A recomendação é clara: ao primeiro sinal de preocupação, deve-se buscar avaliação.
Intervenção precoce muda todo o prognóstico e melhora significativamente as habilidades sociais e comunicativas.
Procure ajuda quando você notar:
- Atraso no desenvolvimento (físico, social, emocional ou de linguagem)
- Regressão (a criança perde habilidades que já tinha)
- Falta de resposta ao nome
- Pouco contato visual
- Dificuldade de interação com outras crianças
Se o comportamento parece “diferente”, “fora do esperado”, ou se a mãe sente que “algo não está andando como deveria”, é hora de buscar orientação profissional.
Sinais de autismo em crianças que a mãe deve observar
Os sinais de autismo em crianças podem aparecer desde os primeiros meses de vida. Aqui estão os mais comuns, separados por idade:
0 a 12 meses
- Pouco ou nenhum contato visual
- Falta de sorrisos sociais
- Não balbucia
- Não aponta
- Não reage a sons familiares
- Pouca resposta ao próprio nome
12 a 24 meses
- Atraso ou ausência da fala
- Não imita gestos, sons ou expressões
- Não aponta para mostrar interesse
- Não brinca de faz de conta
- Preferência intensa por objetos em vez de pessoas
- Movimentos repetitivos: bater asas, pular, balançar
2 a 4 anos
- Repetição de frases (ecolalia)
- Interesses restritos (obssessão por números, letras, dinossauros etc.)
- Dificuldade em brincar com outras crianças
- Resistência extrema a mudanças na rotina
- Hipersensibilidade a sons, cheiros, texturas
- Agressividade quando frustrado
Sinais que podem aparecer em qualquer idade
- Regressão no desenvolvimento
- Crises intensas sem motivo aparente
- Organização de objetos em filas
- Hiperfocus em estímulos sensoriais (rodinhas, luzes, ventiladores)
Importante: Uma criança pode apresentar alguns sinais e não ser autista. Somente uma equipe especializada pode fechar o diagnóstico.
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Como é feito o diagnóstico do autismo em crianças?
O diagnóstico de autismo em crianças é clínico, baseado na observação do comportamento e no desenvolvimento da criança.
Não existe exame de sangue, tomografia ou teste único para confirmar o TEA.
O processo geralmente envolve:
1. Avaliação com pediatra ou neuropediatra
O pediatra é o primeiro profissional a ser procurado. Ele avaliará o desenvolvimento e, se necessário, encaminhará ao neuropediatra.
2. Avaliação multidisciplinar
Pode envolver:
- psicólogo
- fonoaudiólogo
- terapeuta ocupacional
- psiquiatra infantil
Eles utilizam protocolos específicos, como:
- ADOS
- M-CHAT
- CARS
- ABLLS
Essas ferramentas ajudam a mapear comportamentos e habilidades.
3. Observação do comportamento
Profissionais analisam como a criança interage, brinca, mantém contato visual e se comunica.
4. Entrevistas com os pais
A mãe é peça fundamental no processo. Seu relato é altamente considerado, pois ela acompanha diariamente a evolução do filho.E depois do diagnóstico? O que fazer?
Receber o diagnóstico pode gerar choque, medo ou alívio — tudo isso é normal.
Mas é importante saber: não se trata de ponto final, e sim de um começo.
Aqui estão os passos essenciais:
1. Iniciar terapias o quanto antes
A intervenção precoce melhora significativamente as habilidades cognitivas, sociais e comunicativas.
As terapias mais comuns são:
- Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada)
- Fonoaudiologia
- Terapia Ocupacional com Integração Sensorial
- Psicoterapia infantil
2. Criar uma rotina estruturada
Crianças autistas se beneficiam de previsibilidade.
Rotinas organizadas reduzem ansiedade e facilitam o aprendizado.
3. Adaptar o ambiente
Ambientes tranquilos, com menos estímulos sensoriais e mais organização visual, ajudam muito.
4. Estimular comunicação
Mesmo que a criança ainda não fale, incentive:
- gestos
- figuras
- comunicação alternativa (PECS)
5. Buscar inclusão escolar
A escola deve ser parte ativa no desenvolvimento da criança.
Muitas crianças com TEA têm direito a:
- mediador escolar
- plano educacional individualizado
- adaptações de atividades
6. Cuidar da saúde mental da família
O processo pode ser emocionalmente desafiador.
Redes de apoio, apoio psicológico e grupos de mães ajudam imensamente.
Conclusão
Identificar sinais de autismo em crianças cedo e procurar diagnóstico profissional o quanto antes faz toda a diferença na vida de uma criança. O olhar atento da mãe é um dos instrumentos mais poderosos para garantir que a criança tenha acesso a intervenções, suporte e oportunidades adequadas ao seu desenvolvimento.
Com informação correta, apoio profissional e acolhimento familiar, é possível construir um caminho saudável, afetivo e cheio de conquistas.
Referências Bibliográficas
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
- Autism Speaks. Early Signs of Autism.
- Ministério da Saúde do Brasil – Linha de Cuidado para TEA.
- Rede Cochrane Brasil – Revisões sistemáticas sobre intervenções para TEA.
- Zwaigenbaum L., et al. “Early Identification of Autism Spectrum Disorder.” Pediatrics, 2015.
- Lord C., Rutter M. “Autism Assessment and Diagnosis.” Journal of Child Psychology and Psychiatry.











