Poucas coisas deixam uma mãe tão angustiada quanto ver o bebê chorar sem parar — especialmente quando parece que nada funciona. Se você já viveu esse momento, saiba que não está sozinha. A cólica do bebê é uma das maiores causas de choro nos primeiros meses de vida e atinge a maioria das famílias, principalmente entre as semanas 2 e 12.
Embora seja um processo comum e temporário, a cólica causa muita preocupação. Por isso, este artigo traz um guia completo para ajudar você a compreender por que a cólica acontece, como identificar os sinais e quais são as estratégias mais eficazes e seguras para aliviar o desconforto.
Sumário
O que é a cólica do bebê?
A cólica é caracterizada por episódios de choro intenso e inconsolável, geralmente no final da tarde ou à noite, acompanhados de sinais de desconforto abdominal. Embora seja comum, ainda não existe uma única causa comprovada, mas sim um conjunto de fatores que contribuem para o quadro.
Costuma aparecer a partir da segunda semana de vida e pode durar até aproximadamente os 3 meses — o famoso “trimestre mágico”, quando o sistema digestivo do bebê amadurece.
Possíveis Causas da Cólica (Por que Isso Acontece?)
Apesar de muito estudada, a cólica ainda não tem uma causa única definida. Hoje, especialistas acreditam que diversos fatores contribuem para a condição. Os principais são:
1. Imaturidade do sistema digestivo
O intestino do bebê ainda está aprendendo a funcionar. Isso pode causar:
- dificuldade para eliminar gases
- movimentos intestinais descoordenados
- desconforto durante a digestão
É uma das causas mais aceitas pelos pediatras.
2. Engolir ar durante a mamada
Quando o bebê suga muito rápido ou usa mamadeiras com fluxo inadequado, pode engolir ar — aumentando os gases.
Isso acontece também quando:
- pega incorreta no peito
- troca de peito muito rápida
- mamadeira com bico inadequado
- choro intenso antes de começar a mamar
3. Excesso de estímulos
Um bebê recém-nascido é extremamente sensível.
Luzes, ruídos, visitas, manipulação excessiva e mudanças bruscas de ambiente podem sobrecarregar o bebê, causando irritação — e isso pode se manifestar como “cólica”.
4. Sensibilidade a alimentos (em alguns casos)
Em raras situações, bebês podem ter sensibilidade a:
- proteínas do leite de vaca
- substâncias na dieta da mãe (quando amamenta)
Mas isso não é a regra.
5. Mudanças hormonais naturais
O corpo do bebê está em processo de adaptação após o nascimento, e oscilações hormonais podem influenciar o humor e o funcionamento do intestino.
6. Dificuldades emocionais
Bebês são extremamente conectados às emoções da mãe. Estresse, cansaço extremo ou ansiedade podem deixar o bebê mais irritado — e isso pode intensificar a cólica.
Não é culpa de ninguém. É apenas uma resposta biológica do vínculo mãe-bebê.
Sinais de que o bebê está com cólica
Identificar se o choro é realmente cólica ou outra necessidade é fundamental. Os sinais mais comuns são:
- choro intenso e agudo, difícil de consolar
- o bebê encolhe as perninhas em direção à barriga
- a barriga fica dura e distendida
- o rosto fica vermelho
- o bebê arqueia as costas
- pode soltar gases antes ou depois da crise
- episódios costumam ocorrer no mesmo horário
Um detalhe importante: apesar de angustiante, a cólica não traz riscos à saúde do bebê, desde que ele esteja se alimentando bem, ganhando peso e molhando fraldas normalmente.
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Maneiras eficazes de aliviar a cólica do bebê
Agora vamos ao que mais importa: como ajudar seu bebê durante uma crise de cólica.
Abaixo estão métodos conhecidos por sua eficácia, segurança e fácil aplicação.
1. Massagem na barriga
Movimentos circulares suaves no sentido horário ajudam a:
- estimular o intestino
- aliviar gases
- acalmar o bebê pelo toque
Faça de 5 a 10 minutos, com óleo vegetal apropriado.
2. Método do “colinho de cólica”
Posição muito eficaz:
- coloque o bebê de bruços sobre seu antebraço
- apoie a cabeça na parte interna do cotovelo
- segure as perninhas com a outra mão
- faça movimentos leves de balanço
O calor do braço + leve pressão na barriga ajudam muito.
3. Bolsinha de sementes morna
Aplique calor moderado na barriguinha:
- melhora gases
- relaxa a musculatura
- reduz o desconforto
Atenção:
A temperatura deve ser sempre morna, nunca quente.
4. Banho morno relaxante
Um banho morno à noite:
- acalma
- reduz tensão
- promove sensação de conforto
É excelente antes de uma crise.
5. Sons que lembram o útero (white noise)
Bebês respondem muito bem a:
- áudio de chuva
- ventilador
- shhh prolongado
- ruído branco
Isso acalma o sistema nervoso.
6. Movimentos rítmicos
Experimente:
- caminhar pela casa
- balançar suavemente
- usar uma bola de pilates para “embalar”
Esses movimentos lembram o período intrauterino.
7. Ajustar a pega na amamentação
Uma pega adequada:
- evita entrada de ar
- reduz refluxo
- diminui gases
Se tiver dúvidas, uma consultora de amamentação pode ajudar muito.
8. Rotina previsível
Bebês gostam de saber o que vai acontecer. Uma rotina reduz irritabilidade, sono irregular e crises intensas.
9. Arrotos após cada mamada
Ajuda a liberar o ar que ficou preso no estômago.
Tente por:
- 5 a 10 minutos
- em diferentes posições
10. Reduza estímulos no final do dia
Luzes baixas, menos barulho, menos manipulação.
O bebê precisa “desligar” aos poucos.
Quando procurar ajuda médica?
A cólica é comum, mas você deve procurar atendimento quando:
- o choro dura o dia inteiro (não apenas no fim da tarde)
- o bebê não ganha peso
- há recusa para mamar
- vômitos frequentes
- febre
- fezes com sangue
- aparência abatida
Nesses casos, o pediatra deve investigar outras causas.
Maternidade real: Você não está sozinha
A cólica do bebê pode mexer com a emoção da mãe: noites mal dormidas, sensação de impotência e preocupação constante. Tudo isso é normal.
Lembre-se:
- não é culpa sua
- seu bebê não está sofrendo permanentemente
- isso passa — e geralmente antes dos 3 meses
- você está fazendo o seu melhor
Esse período, por mais difícil que seja, faz parte do amadurecimento do bebê.
Com informação, acolhimento e algumas técnicas simples, é totalmente possível atravessar essa fase com mais leveza.
A cólica do bebê é extremamente comum, mas não precisa ser vivida em sofrimento.
Ao entender as causas, reconhecer os sinais e aplicar estratégias eficazes de alívio, você consegue:
- reduzir a intensidade das crises
- acalmar o bebê mais rápido
- criar um ambiente de segurança
- diminuir a ansiedade diária
Com o tempo, você vai perceber que as crises se tornam mais raras — até desaparecerem completamente.











